quinta-feira, 10 de março de 2016

O desenvolvimento de linguagem nos bebês

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Coluninha | Por Lílian Kuhn.
Engana-se quem acha que a vida de um bebê se resume a comer, dormir e sujar fraldas. É no primeiro ano de vida que ele adquire muitos comportamentos e desenvolve habilidades complexas, e, por isso, são estimulados a brincar, dar tchauzinho e andar, por exemplo. Mas e a linguagem, o que esperar nesta idade? Será que ela surge de repente ou precisamos fazer algo para ajudá-los a falar?  
Em primeiro lugar, é muito importante saber as fases do desenvolvimento de linguagem e em quais idades elas devem acontecer. Desde o inicio do segundo trimestre de gravidez, o feto já tem o sistema auditivo em desenvolvimento e consegue ouvir ruídos corporais e a voz materna. Nesse período, os aspectos de melodia (entoação), timbre (frequência) e sotaque já começam a ser distinguidos pelo bebê que, nas primeiras horas de vida após o nascimento, já reconhece e muda seus comportamentos de choro e sucção ao ouvir a voz da própria mãe.  E aí é que eu afirmo: apesar de não ser a fala propriamente dita, já há indícios de desenvolvimento linguístico. 
Para a alegria dos papais, em um contínuo fluxo, o neném se mostra mais esperto a cada dia! Vamos às conquistas dos pequenos? 

  • Aos 03 ou 04 meses de vida: o bebê vocaliza sons sem significado e apenas para se divertir, sem a intenção de se comunicar;
  • Entre 06-09 meses: As vocalizações dão lugar aos balbucios – “papa”, “mama”, “auau” – E sons que as crianças produzem com intenção comunicativa.  Ou seja, toda vez que quer a mãe ele tende a falar “mama”;
  • Por volta dos 12 meses: As primeiras palavrinhas “de verdade” surgem e a criança vira um “papagaio”, repetindo e cantando tudo o que ouve!
  • Até os 18 meses: Espera-se que o vocabulário seja expandido muitíssimas vezes e que os bebezões comecem a expressar suas necessidades.
  • Aos 24 meses: Muitas frases de duas palavras como, por exemplo, “quero tetê” ou “Ana (ela própria) dormir” fazem parte do discurso, mesmo que ainda sejam ditas com omissões e distorções dos sons da fala.
 Outra questão é o que fazer com os bebês para propiciar momentos estimuladores:
  • Conversar muito e sempre: Lembra que o seu bebê te ouve desde antes de nascer? Vocês conversavam muito, né? Não é porque ele agora ele ainda não fala, que você deixará de conversar com ele! Ele ouve e assimila tudo o que é lhe é dito, através de palavras, tom de voz ou expressões faciais;
  • Imersão de linguagem: O seu pequenino acabou de estrear nesse mundo com milhões de nomes, categorias, sinônimos e regras de linguagem!  Para dar conta dessa árdua tarefa que é se comunicar, só fazendo uma imersão em linguagem… Para isso, todas as horas possíveis servirão para você contar fatos, nomear objetos e ensinar para sua criança;
  • Cante em todo canto: Cante no banheiro, na cozinha e no trânsito… As musiquinhas, mesmo aquelas inventadas, são excelentes para estimulação de linguagem, visto que tanto a melodia quanto a repetição de palavras características das músicas infantis chamam a atenção e facilitam o aprendizado das crianças;
  • Leia muito: Ao ler para o seu filho, você estimula a imaginação, possibilita que ele amplie o próprio vocabulário e mostra para ele que a leitura faz parte do cotidiano, preparando-o para a fase da alfabetização;
  • Brinque, brinque e brinque: Assim como o aprendizado de conceitos e regras sociais se dá pelas brincadeiras, o desenvolvimento da linguagem também é favorecido nesses momentos de diversão e faz-de-conta; Brincar muito e brincar junto é essencial!
 Vale lembrar que os marcos do desenvolvimento não são “achismo” ou tentativa de padronizar as crianças, mas foram estabelecidos a partir de evidência cientifica e servem para nortear pais e profissionais. Então, se você percebe ou desconfia de algum atraso na fala no seu filho, não hesite em procurar um fonoaudiólogo, pois só ele poderá avaliar e te dar a orientação profissional especializada. 
Lílian Kuhn é fonoaudióloga com especialização em Audiologia e Mestrado e Doutorado em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem. Há dez anos atende crianças e adultos com distúrbios de linguagem. Fonte: http://blog.leiturinha.com.br/. EMT - Divulgação

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