sexta-feira, 18 de março de 2016

“O que leva uma criança a ler é o exemplo”, diz Ana Maria Machado

Divulgação

Autora de mais de 100 títulos infanto-juvenis, Ana Maria Machado traz livro fresquinho sobre o incentivo à leitura!

A escritora é membro da Academia Brasileira de Letras e um dos maiores nomes da literatura brasileira. Com mais de 20 milhões de cópias de livros vendidas e leitores espalhados por 17 países, Ana Maria Machado lança agora Ponto de Fuga. O livro reúne vários de seus ensaios que envolvem o universo literário, o mercado editorial, a formação de leitores e de que maneira a escola atua no despertar da leitura entre crianças e jovens.

Com toda sua bagagem, é fato que Ana Maria tem muita história para contar… Em entrevista ao UOL, a escritora levanta as questões abordadas no seu novo livro e traz a assertiva de que  “o que leva uma criança a ler é o  exemplo”, ressaltando a significância do hábito da leitura nos momentos de lazer e no ambiente familiar e escolar. Selecionamos os principais trechos da entrevista! Confira:

 Em termos bem simples, estou convencida de que o que leva uma criança a ler, antes de mais nada, é o exemplo. Da mesma forma que ela aprende a escovar os dentes, comer com garfo e faca, vestir-se, calçar sapatos e tantas outras atividades cotidianas.
Ana Maria ainda registra no texto Entre Vacas e Gansos: Escola, Leitura e Literatura, que integra o livro Ponto de Fuga:

 Não é natural, é cultural. Entre os povos que comem diretamente com as mãos, não adianta dar garfo e colher aos meninos, se eles nunca viram ninguém utilizá-los. Isso é tão evidente que nem é o caso de insistir. Se nenhum adulto em volta da criança costuma ler, dificilmente vai se formar um leitor.

Já em Muito Prazer: Notas Para uma Erótica da Narrativa, a autora constata:
Se é verdade que tenho encontrado muitos adolescentes e adultos que não têm vocação leitora, nunca se aproximaram de livros ou até alguns que deles se afastaram em certa idade, também é verdade que nunca encontrei uma criança alfabetizada, com pleno acesso a livros e num ambiente leitor sem cobranças, que não gostasse de ler. Pode rejeitar um certo tipo de livro, ou desenvolver preferências que não são as que o adulto escolheria para ela, mas isso não significa que não goste de ler.

Ana Maria Machado tem diversas obras de destaque entre História Meio ao Contrário, vencedor do Prêmio Jabuti de 1978; Bisa Bia, Bisa Bel (1982), que levou o prêmio de melhor livro juvenil da Fundação Nacional do Livro Infantil Juvenil; e Menina Bonita do Laço de Fita, uma de suas obras mais reverenciadas. Apesar de estar sempre presente entre os grandes nomes da literatura infanto-juvenil, Ana Maria garante seu lugar também na biblioteca dos adultos, com um repertório considerável na literatura adulta.

Escrever para crianças e adultos é diferente, como é diferente conversar com adulto ou com criança. No caso infantil, o prazer é mais próximo da brincadeira. No caso adulto, tem uma densidade mais consciente. Ambas as atividades são difíceis e apresentam desafios. O universo do leitor infantil tem um repertório menor de acumulação de experiências leitoras que permitam referências intertextuais, então fica mais difícil trabalhar nessa área. Mas justamente por essa dificuldade, traz um desafio mais instigante.

Informações de UOL. Visto no Leiturinha. EMT - Divulgação

  

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